O antigo chefe do
Serviço de Turismo da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim ressalvou que “o mais
importante para o desenvolvimento do turismo ao longo destes séculos foi e
continua a ser a hospitalidade do povo poveiro. A forma como recebemos é uma
caraterística crucial, pois até o mais humilde oferecia da sua sardinha e do
seu vinho ao visitante para que nada lhe faltasse”.

Já sobre a “Póvoa dos
banhos”, conceito que se veio a afirmar como industria turística na Póvoa de
Varzim, Armando Marques refere que o seu inicio terá sido por altura do século
XVIII, devido à leitura de várias publicações, nomeadamente na ata camarária de
3 de Junho de 1776, onde refere a praia da Póvoa de Varzim, “talvez a mais
antiga praia de banhos (…) que muita gente a ela vinha, para além da procura do
peixe”. Para ele, a marca do turismo no concelho, a “Póvoa dos banhos”, nasceu
aí com o sucesso que se reconhece.

O orador referiu que “a
Póvoa começou a ter uma nova atracão económica, os banhos de mar, sendo das
primeira terras do norte de Portugal a investir na hotelaria para receber os
turistas. Tal verifica-se no fim de século XIX, inícios de século XX, onde os
banhos passaram a concorrer com a atividade económica da pesca”. Os banheiros
públicos, os cafés de praia, as barracas coletivas, onde se conversava e se
fazia croché e a segurança aos banhistas, proveniente das cordas e dos pipos
instalados no mar, foram fulcrais para a promoção da Póvoa de Varzim como
estancia balnear.

O jogo trouxe consigo
uma maior aposta em hotelaria e o “precursor do Casino da Póvoa foi o Café
Chinês, na rua dos cafés, que ainda vi em fase de demolição”, relembra Armando
Marques. O Passeio Alegre e a Avenida Mouzinho de Albuquerque, talvez os locais
mais importantes à época, foram sofrendo inúmeras alterações ao longo dos
séculos procurando ser cada vez mais atrativos, acompanhando o progresso.

Os pescadores
originaram uma tradição, que ainda hoje se mantém nesta cidade, o aluguer de
quartos e andares para a época balnear prescindindo eles do conforto do lar
para alojar os muitos turistas que vinham, rentabilizando assim as suas casas.

O convidado afirmou também
que “as viagens ao estrangeiro de Ranchos Folclóricos do concelho permitiram
levar a Póvoa de Varzim além fronteiras, bem como as pinturas de grandes
artistas da época, das mais belas paisagens poveiras, levaram imagens a outros
recantos. Não se pode, contudo, esquecer os caminhos de ferro, cuja evolução
permitiu trazer mais gente até esta cidade, as festas populares, que foram
sempre um chamariz, de onde se destaca as festas em honra de S. Pedro, da Nossa
Senhora da Assunção e da Nossa Senhora das Dores, entre outros eventos, como o
Rali de Portugal, o Rali do Casino da Póvoa, tudo fatores que acabariam por
contribuir para o desenvolvimento do turismo”.