O Cine-Teatro Garrett foi palco, esta terça-feira, para a sessão de apresentação dos projetos artísticos dos estudantes do Mestrado em Cinema e Fotografia da ESMAD, realizados no âmbito das Residências Artísticas que decorreram na Póvoa de Varzim.
A Presidente da Câmara Municipal, Andrea Silva, esteve presente neste momento de exaltação da qualidade dos trabalhos intensivos e ambiciosos realizados pelos alunos em articulação direta com as comunidades.
Das singularidades agrícolas das masseiras à vida pulsante da marina e do setor piscatório, os estudantes foram incentivados a explorar o território com total liberdade temática, mas imbuídos de um elevado sentido de ambição artística. Desta imersão resultaram três filmes de cinema documentário e experimental, dois filmes de ficção e doze projetos fotográficos, todos apresentados sob o mote “Póvoa de Varzim, Terra Dentro”.
As obras realizadas exploram a identidade e a permanência. Em Andorinhas, acompanha-se o quotidiano de três jovens imigrantes, numa narrativa que mistura entrevistas informais com imagens captadas pelos próprios participantes, explorando como a saudade se manifesta nos pequenos gestos e silêncios. O filme Masseiras da Póvoa percorre os campos e praias para resgatar a memória e o futuro de uma prática agrícola única e em vias de extinção. Em Mestre de Terra, o foco desloca-se para a Marina da Póvoa, revelando a face menos visível da pesca do cerco: o trabalho meticuloso de reparação das redes durante o período de defeso.
No cinema de ficção, as narrativas usaram os cenários poveiros como catalisadores de drama. Fecho transporta-nos para a tensão silenciosa de um restaurante no final de um turno, onde o encontro inesperado entre um funcionário e um cliente se transforma numa ocupação desconfortável do espaço. Por sua vez, Outside the Frame mergulha na vila de Rates para contar a história de William, um adolescente que, durante o funeral do avô, vislumbra a promessa de um novo mundo ao cruzar-se com uma equipa de filmagem num tasco local.
Na fotografia, os doze projetos individuais, disponíveis para visualização ao público na Sala de Atos do Cine-Teatro Garrett, multiplicam os pontos de vista sobre a região. Ana Borges, em Cartografia de Fachadas Involuntárias, propõe um levantamento estético de elementos arquitetónicos muitas vezes ignorados. Diogo Sousa, com Sulco, e Francisca Mortágua, em Debaixo de terra tudo é vida, exploram a ligação telúrica ao território. Ricardo Cardoso, em Ponto de Memória, utiliza a icónica Camisola Poveira como metáfora para a reconstrução da memória familiar e geracional. O olhar estende-se ainda às festividades religiosas em Argivai no trabalho de Gustavo Moutinho (Romaria), a espaços desabitados em Inês Campinho (Espaços de Ninguém) e a abordagens conceptuais ou documentais como as de Juliana Freitas (Brick by Brick), Leonardo Rodrigues (Sem pedir Licença), Mário Jorge Castro (Octanas Lanutenses), Marta Costa (Geometrias de Produção), Rita Paredes (Quebra) e Roxy Wynona (Something with birds).



