Aires Pereira refletiu sobre os problemas do atual PERSU e lamentou o desalinhamento que existe entre o documento e a realidade de Portugal, pois este provoca “dificuldades para cumprir aquilo que são as metas com as quais o país se comprometeu e que todos nós temos que contribuir para que possamos atingi-las”. Sem um caminho de cooperação, ressaltou, “de partilha e de visão integrada, será muito difícil” atingir as metas do PERSU, porque “tudo tem que estar no mesmo processo para que se possa ajudar a cumprir as metas de quem tem maiores dificuldades”.

Relativamente à TGR – Taxa de Gestão de Resíduos, o Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim e também Presidente da Smart Waste Portugal relembra que se trata de um contributo que “todos prestamos” e, que para 2023, são 30 milhões de euros, um valor “que é pago por todos”, que deve ser devolvido ao sistema na integralidade para que esse dinheiro sirva para “alavancar a construção de novas infraestruturas e montagem de sistemas de recolha de biorresíduos que só são eficazes se forem recolha porta-a-porta, recolha separada e na propriedade horizontal com recolha seletiva”.

Aires Pereira abordou, igualmente, o Fundo Ambiental, que com 1,2 mil milhões de euros, fica “aquém” e não resolve “os problemas de sustentabilidade e ambientais do país”. A educação é outro tema onde Portugal não está a saber comunicar a mensagem certa, segundo o Presidente da Câmara, pois “estamos a aumentar a produção de resíduos e não estamos a conseguir convencer os nossos cidadãos da bondade da nossa política”.

O caminho é longo e Aires Pereira não tem dúvidas de que é essencial mais partilha e mais visão integrada: “Não é possível estarmos constantemente à espera que saia mais um portaria ou de mais um regulamento, até porque estamos a falar de investimentos que no mínimo têm 5 a 10 anos de maturidade para entrar em funcionamento”.