“As Coisas que eu faço”, de José Álvaro Macedo, não é um livro de teoria nem uma biografia convencional: é o registo sensível e visual de cinco décadas dedicadas ao prazer de criar. Através de uma estrutura rica em imagens e textos breves, o autor convida-nos a entrar na sua oficina pessoal — um espaço onde o desenho, a pintura e o colecionismo se encontram numa celebração permanente da curiosidade e do fazer manual. Mais do que um catálogo de trabalhos, este livro é um convite a olhar para o mundo real e a reconhecer o valor do tempo investido na criação autêntica. Serve também como incentivo intergeracional, lembrando que cultivar paixões manuais é garantir uma companhia constante e gratificante para toda a vida. Como sintetiza o próprio autor: “Menos conversa, mais obra.”
José Álvaro Macedo vive na Póvoa de Varzim. Nasceu em Guimarães, em 1956, cidade onde começou a sonhar e a construir um universo criativo que, ao longo de mais de cinquenta anos, se foi consolidando através da imaginação, da memória, do desenho, da pintura e da relação sensível com os objetos e a matéria.
Autodidata por natureza, o seu percurso artístico nasce de um gesto inaugural: transformar seixos e godos, aos quais foi concedendo forma, sentido e expressão. Esse diálogo com a matéria tornou-se uma constante no seu trabalho, revelando um processo criativo espontâneo, onde o desenho, a intervenção em diferentes suportes e a recolha de elementos com valor cultural e afetivo se entrelaçam naturalmente.
O desenho afirmou-se como um caminho contínuo, acompanhando a experimentação em papel, madeira e outros suportes, num processo livre e intuitivo. A pintura surge também como uma dimensão importante do seu percurso, particularmente em tela, embora o seu universo criativo se construa de forma mais ampla, valorizando sobretudo os gestos mais espontâneos e pessoais, onde a relação direta com a matéria assume maior autenticidade.
Ao longo deste percurso, o colecionismo acompanhou de forma discreta, mas constante a sua atividade criativa, reunindo objetos de valor sobretudo cultural e afetivo, que alimentam a memória e o imaginário presentes na sua obra.
O seu trabalho foi sendo apresentado ao público em exposições individuais e coletivas, em diferentes momentos e contextos do seu percurso, sobretudo em lugares que marcaram a sua vida — a cidade que o acolheu e aquela que o despertou para a arte. Estas apresentações surgiram de forma natural ao longo do tempo, acompanhando o desenvolvimento do seu trabalho, mais como consequência do percurso artístico do que como objetivo central.