CE – Como surgiu o convite para a participação no Correntes d’Escritas? Está, de alguma forma, relacionado com a atribuição do Prémio Goya à canção Fado da Saudade no filme de Carlos Saura?

 
CC – Não. O convite para participar nas Correntes d’Escritas foi feito muito antes da atribuição do Prémio Goya. Partiu do meu grande amigo Francisco Guedes, para participar de uma mesa e tomar contacto com os escritores e com um objectivo muito concreto: aprender com eles.
 

CE – Considera-os inspiradores?

CC – Os bons escritores considero-os muito inspiradores para mim. Fazem-me ficar de bem com a vida…!

 

CE – E quais são aqueles que mais o inspiram?
 

CC – Não quero falar em nomes, para não ferir susceptibilidades. Estou encantado por estar rodeado de pessoas tão bonitas.

 
CE – É a primeira vez que está no Correntes?

 
CC – É a primeira vez que estou presente, mas acho tudo um encanto. Já à saída de Lisboa, no comboio e depois no autocarro, foi uma festa. A chegada ao Porto foi uma festa. Mas quando falo com um escritor ou com um poeta sinto-me observado, analisado, dissecado. Mas não me é nada desconfortável. Eu sou sobretudo um intérprete. Sinto a obra criada e passo-a para as pessoas como se fosse minha criação. Partilho da obra de outrem.

 
CE – Há um intercâmbio, uma troca de experiências…

 
CC – Repare, não há uma única mesa em silêncio! As pessoas estão felizes por se encontrarem, por trocarem impressões. Colocam-se up-to-date. E o encanto é sobretudo a diversidade: estão aqui pessoas da América do Sul, da África – dos países de expressão portuguesa, da Península Ibérica…

 
CE – Não há barreiras…

 
CC – É isso. É um encanto. E depois, aqui, a maior parte das pessoas são fumadoras. De repente, as mesas ficam vazias e está tudo lá fora a fumar…

Mas os prisioneiros têm espaços para fumadores e não fumadores…