Esta visita institucional visou assinalar a importância da cooperação entre Portugal e Suécia nas áreas da transição verde e da segurança energética, da inovação europeia e da competitividade industrial. Para Andrea Silva, não se tratou de uma visita “de cortesia”, mas antes uma “visita à base, aqui em Viana, de onde sai para o nosso mar uma tecnologia que se testa à porta de casa”, numa fase global em que “é preciso que o mar deixe de ser tratado como paisagem e passe a ser tratado como estratégia”.

“A cooperação entre a Suécia e Portugal, que aqui se materializa, tem uma lógica clara: a Suécia traz a tradição industrial e a capacidade de levar a inovação à escala, Portugal traz o mar, a posição atlântica e o território onde a inovação pode ser demonstrada. É uma parceria em que ambos têm o que o outro precisa. E há uma terceira parceria, mais discreta, que me interessa particularmente: a dos dois municípios que aqui estão, Viana do Castelo e a Póvoa de Varzim, a trabalhar em conjunto com o porto, a empresa e a Embaixada. E há uma razão económica de fundo para todos termos pressa: sem energia limpa e acessível, não há competitividade industrial, nem para a Europa, nem para o Norte de Portugal”, lembrou a Presidente da Câmara, na sua intervenção.

Andrea Silva recordou a importância da Póvoa de Varzim neste panorama e recordou que “o dispositivo CorPower C4 foi lançado neste mesmo porto de Viana do Castelo, rebocado até ao local de Aguçadoura, a cerca de quatro quilómetros da costa, e está ligado à rede elétrica nacional”. Operando no Oceano Atlântico desde outubro de 2023, resistiu a ondas de até 18,5 metros.

Neste sentido, a edil deixou um pedido à CorPower Ocean: que “continue a trabalhar em diálogo com as pessoas de Aguçadoura” e com a Póvoa de Varzim, um concelho que sabe “transformar os recursos do território em oportunidades, construir atividade económica e afirmar a sua ligação ao Atlântico”, agora que aí vem “o passo seguinte”: o projeto VianaWave, “apoiado com 40 milhões de euros do Fundo de Inovação da União Europeia, que prevê um parque de 10 megawatts, com 30 conversores de energia das ondas, capaz de produzir cerca de 30 gigawatts-hora por ano, o equivalente ao consumo de 7.500 casas portuguesas. Inclui o reforço da infraestrutura elétrica em Aguçadoura e na Póvoa de Varzim e o desenvolvimento da base operacional no porto de Viana do Castelo”. 

“Hoje, temos condições para continuar esse percurso, acompanhando novas áreas de inovação e investimento, como a energia das ondas. O mar é estratégico para a Póvoa de Varzim e para Portugal. Que esta visita seja mais um passo para transformar esse potencial em oportunidades concretas para o nosso território e para as pessoas”, concluiu a Presidente da Câmara.

Recorde-se que a CorPower Ocean é uma empresa sueca de energia limpa que desenvolve tecnologia avançada de conversores de energia das ondas (Wave Energy Converters – WECs). Fundada em 2012 por Patrik Möller e Stig Lundbäck, a empresa, com sede em Estocolmo e escritórios em Oslo, Viana do Castelo e Stromness, destaca-se globalmente ao criar um sistema de boias oscilantes cujo princípio de funcionamento é diretamente inspirado no mecanismo de bombeamento do coração humano.