Habitual moderador, crítico exigente e mediador cultural do Correntes d'Escritas, coube, desta feita, a José Carlos de Vasconcelos o papel de ator principal na Conferência de Abertura da 27.ª edição do principal encontro literário de expressão ibérica.
Na sessão, moderada por Onésimo Teotónio Almeida e Manuel Alberto Valente, o convidado, figura central da cultura literária portuguesa, discorreu sobre o seu percurso pessoal e profissional, sob o tema “A vida entre as letras, uma voz insubmissa”.
Presença constante no Correntes d’Escritas, desde 2021, José Carlos de Vasconcelos lembrou que se Freamunde é a terra onde nasceu, “a Póvoa de Varzim é a minha terra onde não nasci”. Foi na Póvoa que cresceu, fez a escolaridade e iniciou a sua atividade jornalística e cultural, desde tenra idade. E é a Póvoa de Varzim que o jornalista, poeta, escritor e ensaísta descreve como a “casa” à qual sempre regressa.
Nas suas palavras, as mais de oito décadas de vida que leva foram vividas com o coração enraizado na cidade, da qual conhece “todos os cantos” e a qual lhe proporciona uma “ligação íntima, duradoura e profundamente afetiva”, que moldou, de forma indelével, a sua vida e o seu trajeto profissional.
No entanto, José Carlos de Vasconcelos não esquece a importância de Coimbra, determinante para a luta dos estudantes portugueses contra a ditadura. “Por convicção” e em “luta contra as forças que se opunham à liberdade” e “um regime imoral e fascista”, o autor foi destacado dirigente associativo, na primeira metade da década de 60, como presidente da Assembleia Magna da Associação Académica de Coimbra (a maior associação de estudantes do país), membro do Secretariado Nacional dos Estudantes Portugueses (de forma, na época, ilegal), chefe de redacção da “Via Latina”, órgão da Associação Académica de Coimbra, presidente e fundador do Círculo de Estudos Literários e dirigente e ator no Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra.
Dono de uma obra extensa e diversificada, com uma presença literária que atravessa décadas e géneros, incluindo poesia, ensaios e textos de reflexão literária e cultural, José Carlos Vasconcelos recordou, igualmente, o seu papel como crítico cultural no pós-25 de Abril e a sua carreira profissional como jornalista, tanto em ditadura como em democracia, nomeadamente no Diário de Lisboa, no Diário de Notícias e como cofundador do semanário O Jornal e histórico diretor do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias.
É tudo isto e muito mais que pode encontrar no Correntes d’Escritas. Acompanhe a 27.ª edição do Correntes d’Escritas no Portal, no Facebook e no Instagram. Consulte o Programa completo ou o Dossiê de Imprensa.



